Ressuscitando Filósofos
Apresentador 1: Bom dia! Hoje ressuscitaremos um
grande filósofo, Jean Paul Sartre, nascido em Paris no dia 21 de junho de 1905 e
morto em 1980. Durante sua vida, Sartre escreveu muitas obras importantes,
dentre as quais podemos citar: “A transcendência do ego”, “A Náusea”, “O ser e
o nada” e “A Imaginação”.
Apresentador 2: Bom dia Sartre! Bem vindo ao
nosso programa “Ressuscitando filósofos”, nós o ressuscitamos para que o senhor
pudesse contar para nós um pouco de sua filosofia. Mas então, o senhor é um
grande representante do Existencialismo Ateu né? *Sartre confirma com a cabeça*.
Explique-nos, em que consiste essa corrente de pensamento?
Sartre: Para sanar a sua dúvida, nós
temos que partir do principio de que a existência precede a essência. Ou seja,
o homem primeiro precisa existir no mundo para depois se realizar, se definir
através de suas ações. E se a existência precede a essência, não há nenhuma
natureza humana ou Deus que nos defina como homens. Pois Deus não é capaz de
guiar as nossas vidas, Deus é a nossa covardia. A liberdade é nossa arma. Em
conclusão o existencialismo é a filosofia que proclama a total liberdade do ser
humano.
Apresentador 1: E o que significa liberdade para
o senhor?
Sartre: A liberdade vai muito além do que se pensa. Ser-se livre
não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode. O nosso
futuro está em nossas mãos, o homem está condenado a ser livre, livre para
esgotar suas escolhas, estas que são determinadas pelo que pensamos ser bom ou
mau.
Apresentador 1: E quando o homem não sabe
reconhecer e aproveitar essa liberdade, o que acontece com ele?
Sartre: O poder da liberdade faz um homem
angustiado quando este não consegue sustentar suas escolhas. A angústia é o
receio da liberdade. E para se defender dessa angústia vem a má-fé.
Apresentador 2: O que o senhor acha da má-fé?
Sartre: a má-fé é uma defesa contra a
angústia e o desalento, porém é uma defesa equivocada. Pela má-fé renunciamos à
nossa própria liberdade, fazendo escolhas que nos afastam do projeto
fundamental e atribuindo conformadamente estas escolhas a fatores externos, ao
destino, a Deus, aos astros, a um plano universal. Má-fé, não é mentir para
outras pessoas, mas mentir para si mesmo e permitir-se fugir de sua própria
autodeterminação.
Apresentador 2: E quais são os limites da
liberdade?
Sartre: A liberdade é limitada pelo
próprio homem. Esta autonomia de escolha é determinada pelas capacidades do
próprio ser. Entretanto estas limitações não tornam a liberdade menor; são elas
que a possibilitam, pois são elas que determinam nossas escolhas e impõem uma
liberdade de eleição da qual não podemos escapar. É dos limites que o homem
constrói os seus maiores artefatos.
Apresentador 1: Então, pra você, o que é ser
homem?
Sartre: Ser homem é tender a ser Deus; ou
se preferirmos, fundamentalmente o desejo de ser Deus. O homem é aquele que se
inventa a cada dia. “Nunca se é homem enquanto não se encontra alguma coisa
pela qual se estaria disposto a morrer”.
Apresentador 2: No que consiste a relação “eu com
o outro”?
Sartre: Só através dos olhos dos outros
posso ter acesso à minha própria essência. O homem por si só não pode se
conhecer em sua totalidade. Só através dos olhos, de outras pessoas é que
alguém consegue se ver como parte do mundo.
Apresentador 1: Sartre, como você ocupava seu
tempo?
Sarte: Bom, ocupava boa parte do meu
tempo fazendo conferências e passeatas como meio de apressar a Revolução
Socialista.
Apresentador 1: Em que se consiste o “em-si”?
Sartre: O mundo é povoado por seres
Em-si. Podemos defini-los como qualquer objeto existente no mundo e que possui
uma essência definida. Para o criar, parte-se de uma idéia que é concretizada,
e o objeto construído se enquadra nessa essência prévia. Um ser em si não
possui potencialidades.
Apresentador 2: E o “para-si”?
Sartre: O para-si não tem uma essência
definida. Ele não é resultado de uma idéia pré-existente. Eu acredito que não
exista um criador que tenha predeterminado a existência e os fins de cada pessoa.
È preciso que o para-si exista e durante a sua existência ele defina a sua
essência. A nossa essência imutável é aquilo que já vivemos.
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